O Show de Truman, O Show da Vida


O Show de Truman, O Show da Vida – Pela segunda vez precisarei alterar o filme do link a seguir. “Laranja Mecânica”, obra-prima do gênio Stanley Kubrick, irá ficar para a semana que vem (irei assistir a obra nos próximos dias – pela terceira vez em minha vida - para comentar com a emoção a flor da pele). Precisei fazer essa alteração porque estou participando de um projeto cultural que realiza debates sobre clássicos do cinema com alunos do Ensino Médio de uma escola da Zona Sul de São Paulo, e que por motivos pedagógicos foi obrigado a cancelar a exibição do filme de Kubrick. No lugar fizemos a apresentação de “O Show de Truman”. O resultado da discussão sobre a obra de Peter Weir foi muito positiva e acredito que mereça meu comentário.


O primeiro ponto levantado na conversa após a exibição de “O Show de Truman” foi à atuação de Jim Carrey. Todos concordaram que sua atuação foi digna e relevante. Eu que não sou grande fã do ator – além dessa obra elogio apenas seu trabalho em “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança” (filme obrigatório). Nesse longa-metragem suas expressões e posturas são realizadas para um objetivo mais forte, relevante e importante no contexto do personagem, não por motivos banais e de humor rasteiro como nas comédias irrelevantes que marcaram o ator. Ponto para o filme.


Outro motivo que mereceu uma discussão acalorada no bate papo com os alunos foi a questão da hipocrisia da sociedade em que vivemos. A sociedade que manteve Truman por anos no programa, sem o seu conhecimento, foi a mesma que se “emocionou” em sua luta pela vida própria, por seu direito a privacidade. Hipocrisia real que temos em nosso dia a dia. Ponto para o filme.


Um argumento do longa-metragem que abordamos de forma importante foi a falta de emoção nos relacionamentos da modernidade. Todos a volta do “protagonista” conheciam sua vida irreal e controlada. Mas, todos eram cúmplices com o sistema que controlava Truman e fizeram de sua vida uma existência fria, irreal e sem sentimentos verdadeiros. Todos queriam apenas o sucesso e a fama, e consequentemente, a felicidade própria. Porém, não desejavam o mesmo para Truman. O diretor que o controlava (Ed Harris, de “Jacknife”) fazia questão de todos visualizarem a vida de seu ator principal, a cada segundo. Entretanto, ao dar a entrevista a um programa de televisão, faz questão de dizer que gosta de manter sua própria privacidade. Quanta incoerência e egoísmo. Quantos vizinhos e amigos conhecemos em nossa vida nos dias de hoje? Ponto para o filme.


Vivemos num universo onde o consumismo é mais importante que a própria liberdade e onde os valores morais são colocados em segundo plano. Esse foi outra questão relevante levantada em nossa conversa. Apesar de um pouco exagerado em seu contexto visual, as propagandas que aparecem ao longo do cotidiano da vida de Truman, simbolizam o mundo atual. Onde não importa o que somos e sim o que temos, o que podemos comprar. No filme as propagandas são expostas com mais força quando Truman está com emoção a flor da pele, ou seja, as empresas querem que o público consumista lembre de sua marca nos momentos “inesquecíveis” e marcantes do “herói”. Mesmo que sejam emoções fabricadas e industrializadas sem conteúdo algum. Ao criticar o exagero do consumismo no mundo capitalista e selvagem que vivemos a obra de Peter Weir merece outro ponto positivo para o filme.


Mas, entre todos os assuntos levantados na discussão sobre “O Show de Truman” o que mais me conquistou e que mais foi importante para os alunos foi sua referência moderna e atualizada sobre o famoso “Mito da Caverna”. A força do protagonista para mudar sua vida fria, irreal e longe da verdade só acontece quando ele encara seus medos, e como é feito na mitologia grega, supera as barreiras do temor e encara de peito aberto o desafio do novo. Ponto positivo.


Após todo o debate ficou impossível, na minha visão, não fazer um comentário sobre esse drama moderno que mescla humor, drama, futuro e mitologia para contar a história de uma pessoa que busca seu caminho. O caminho da felicidade. Será que não é isso que todos nós buscamos?


Dedico esse texto a meu amigo Gabriel do site http://criticamecanica.blogspot.com



Sinopse - Todos os olhos estão em Burbank - isto é, Truman Burbank. E você também vai querer juntar-se ao público para dar uma olhada nessa maravilha de filme do diretor Peter Weir (“Gallipoli”, “A Testemunha”). Truman (Jim Carrey, de “Desventuras em Série”) está a ponto de descobrir o quanto sua vida, aparentemente "normal", é completamente anormal. O que ele não imagina - pelo menos, ainda não - é que sua vida inteira é um reality-show, televisionado e transmitido para que o mundo inteiro acompanhe.


Filme: 5 pipocas


1 pipoca – péssimo
2 pipocas – ruim
3 pipocas – razóavel/regular
4 pipocas – bom
5 pipocas – imperdível

16 comentários:

Rosane Marega disse...

Oiee Renato, ja te contei que sou cinéfila de paixão e troco passeios por um bom filme e uma bacia de pipocas? rsrsr
ADORO!!! de verdade.
Beijossssss e aquele super final de semana.

Guará Matos disse...

Esse eu vi e achei bem inteligente a estória. É um dos remanescentes dos Big brothers!

Abraços.

Amanda Aouad disse...

Muito bom, Renato, o texto, a discussão que você trouxe para nós, a iniciativa com os alunos do ensino médio. O Show de Truman rende mesmo boas análises.

bjs

Tô Ligado disse...

Opa... tbm nao sou fa do ator por ser muito estereotipado, mas adoro seus filmes.

! Marcelo Cândido ! disse...

Lembro que no passado pensei que esse filme fosse mais um de comédia dele... Aí descobri que na verdade é um drama e dos bons!!
O filme toca nessas camadas da sociedade, brilhante!

nelsonjesjes disse...

Parabéns pela crítica e pelo trabalho social.

nelsonjesjes disse...

Parabéns pela crítica e pelo trabalho social.

Cristiano Contreiras disse...

Um de seus melhores textos aqui, parabéns, se aprofundou bem nas discussões principais do filme que, ao meu ver, merecia melhor destaque no Oscar daquele ano.

Jim Carrey é melhor aqui que no "Brilho eterno...", mas sabemos que ambos os filmes são grandes exemplos que ele sabe interpretar muito bem e sair do âmbito de humor, quando quer.

Abs

Guilherme disse...

Eu acho esse filme muito bonito e Jim Carrey merecia ao menos concorrer ao Oscar, pelo menos como forma de incentivo. Um filme que o tempo passa, mas ele continua vivo na memória do público.

http://acervodocinema.blogspot.com

Marcia disse...

Passei para lhe desejar uma nova feliz semana!!
Abracos!

Cine Mosaico disse...

Gosto muito desse filme.
Uma visão perfeita da nossa "liberdade vigiada".

Abraço. João Linno.

Jacques disse...

Esse é um dos meus filmes preferidos do Jim Carey.
A temática do filme antecipou todos esse reality shows debilóides onde a pessoa nada mais é do que um animal numa jaula.
Triste, mas real.
Até mais.

Sonhos De Deus disse...

Oii meu querido adoro filme com,Jim Carrey ,ainda não vi este mas creio que deve ser muito bom,parabéns teu blog é +D+ uma linda semana pr vc ti gosto muito fica com Deus.

Rosane Marega disse...

Oieee, adoro o seu carinho, faz um bem danado.
Beijossss no coração.

JhonSiller disse...

Eu acho que Jim Carrey sempre da um UP nos filmes

Amanda Aouad disse...

Oi, Renato dediquei um selo para você lá no blog.

bjs