UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA

 
 
 
UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA - Como construir um texto ou argumentar sobre um projeto cinematográfico que simplesmente me deixou de alma pura e coração disparado? Como definir ou apresentar adjetivos que façam eu descrever uma animação nacional, a meu ver, inigualável em nossa carreira cinematográfica?
 
 
Luiz Bolognesi, (roteirista de "Bicho de Sete Cabeças" e "As Melhores Coisas do Mundo" - outros ótimos filmes), dessa vez acertou para valer. Sinto que minha alma possa ter mudado após essa história que mescla, poeticamente, romance, e os principais pontos da história do Brasil. Isso sem falar na viagem futurística da obra. 
 
 
Separado visualmente e narrativamente em quatro partes (apesar dos personagens possuírem focos interligados nas quatro etapas) o filme é uma obra-prima que não cansarei de elogiar.
 
 
Primeira parte do roteiro tem como foco o extermínio dos Índios
 
Como não elogiar ainda mais essa produção com a escolha dos dubladores? Escalar Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro para o projeto é como colocar Pelé, Puskas e Maradona na mesma seleção. Fica covardia a qualidade do trabalho do trio.
 
 
Em sua primeira parte o roteiro aborda o extermínio cruel, sanguinário e covarde dos europeus contra os  indígenas brasileiros.
 
 
 
Segunda parte tem como destaque o período escravo
 
 
Não existe a menor chance de não dar os aplausos para a ótima narrativa que passeia, de forma coerente e rica, por boa parte da história nacional.
 
Em sua segunda parte o termo da escravidão é abordado de forma dura, seca e esplendida, ao questionar os "ícones" de nossa história positivista, onde os grandes heróis são vangloriados a custa do massacre de quem não acredita nos mesmos ideias. O caso citado de Duque de Caxias é merecedor de enorme reflexão por parte de todos nós brasileiros.  A segunda parte chega a perfeição ao introduzir no contexto o surgimento do Cangaço brasileiro.  
 
 
Terceira parte aborda a ditadura militar
 
A terceira parte aborda, de forma soberba e cruel ao mesmo tempo sobre o período da ditadura militar e o surgimento das dificuldades sociais no país. Enquanto a tortura acontece absurdamente contra opositores políticos, a favela se consolidada como reflexo de nossa falha social.
 
 
Elogios também para os diálogos que dão certa cutucada em nossa própria construção como sociedade.
 
A parte final fala sobre nossa esperança no amor e no futuro da humanidade

 

 
 
Li alguns comentários alegando que a ideia foi melhor que a realização. Não concordo. Entendo que a ideia foi ótima e o resultado final idem. A quarta e última parte me lembraram de "Brazil - O Filme" e isso me fez ficar ainda feliz com o trabalho de Luiz Bolognesi.
 
 
Não visualizei um único ponto parecido com o padrão Disney de animação - não que seja contra o estúdio, apenas entendo que precisamos ter nosso próprio estilo. Como "Tainá", em termos de filmes infantis, por exemplo.
 
 
Fico apenas triste com o resultado de público do filme. Longe do sucesso comercial que merecia "Um História de Amor e Fúria", é uma animação nacional, que narra a história nacional e tenta construir uma historia nacional futura.
 
 
NOTA 10 PARA UMA ANIMAÇÃO GENUÍNAMENTE NACIONAL
 


 
 
Sinopse - “Uma História de Amor e Fúria” é um filme de animação que retrata o amor entre um herói imortal e Janaína, a mulher por quem é apaixonado há 600 anos. Como pano de fundo do romance, o longa de Luiz Bolognesi ressalta quatro fases da história do Brasil: a colonização, a escravidão, o Regime Militar e o futuro, em 2096, quando haverá guerra pela água. Destinado ao público jovem e adulto com traço e linguagem de HQ, o filme traz Selton Mello e Camila Pitanga dublando os protagonistas. O longa conta ainda com a participação de Rodrigo Santoro, na pele do chefe indígena e de um guerrilheiro.
 
 
 
 


 
Filme: 10 pipocas (pela primeira vez e sem exagero)


1 pipoca - péssimo

2 pipocas - ruim

3 pipocas - razoável/regular

4 pipocas - bom

5 pipocas - ótimo

21 comentários:

Emerson Silva disse...

Renato, o cinema brasileiro vive um grande momento, animação nacional brigando por uma indicação ao Oscar! Incrível! Está dando orgulho do cinema brasileiro!

Abração!

renatocinema disse...

Verdade Emerson.....grande momento nacional.

Orgulho total.

abs

Iza disse...

Renato, estava procurando um filme para assistir hoje à noite e me interessei bastante por esta "película". Sabe, adoro filmes em animação. Você já assistiu American Pop? É muito bom e recomendo bastante.
Obrigada pela dica e volto aqui para comentar sobre o filme.
Abraços.

Fábio Henrique Carmo disse...

Interessante que, quando o filme saiu, a crítica nacional não deu bola e agora o filme está na pré-lista do Oscar. Se ficar entre os finalistas, já vai ser uma baita desmoralização para os críticos tupiniquins, que adoram botar pra baixo o cinema nacional.

Torcendo por ele e por "O Som Ao Redor"! É Brasil no ano da Copa botando pra quebrar no Oscar.

renatocinema disse...

Iza American Pop é uma das animações que mais amo. Faz uma ótima mescla entre música, desenho e cultura pop. Pena que ainda não consegui incluir na minha videoteca.

Você deve ter visto HEAVY METAL, outra obra imperdível.

Abraços

renatocinema disse...

Fábio entendo que alguns críticos querem ser mais estrelas que diretores e isso tem certo custo cultural........torço muito pela indicação dessa animação.

abs

Iza disse...

A-M-E-I o filme. Perfeito. Reconta a história do nosso país, em outro ponto de vista: o ponto de vista daqueles que "perderam". Todas as partes são ótimas. Mas, confesso que minha predileta foi a terceira, na ditadura militar: sou fã dessa parte da história. É um filme perfeito para ser passado nas aulas de história.... indicarei a minha professora.

Abraços <3
*Dica do Heavy Metal, mais que anotada.

renatocinema disse...

Realmente muito bom.

Assista Heavy Metal, porém, ele possui outra vertente. Vinculado a música e a ficção.

abs

Amanda Aouad disse...

Gosto muito do trabalho de Luiz Bolognesi e já espera esse filme desde que o projeto ainda se chamada Lutas. Acho o resultado bom, mas me deu a impressão que foi finalizado as pressas. As duas primeiras histórias são melhores trabalhadas, em roteiro e em animação, vemos mais detalhes de cenários, fluidez nos movimentos. Os outros dois parecem mais apressados.

Talvez a expectativa tenha me atrapalhado, mas não me empolguei tanto, mas torço pelo sucesso dele e fiz todo esforço possível para divulgá-lo na época do lançamento e a cada prêmio ou indicação que ganha.

abraços

Tsu disse...

Oi Renato.
Rapaz eu vi o trailler dessa obra e fiquei ansiosa em ver...uma animação brasileira...adulta!!!
E agora que vi a resenha, o enredo e os elogios..vou tentar baixar imediatamente!
Uma hora faço a sessão cosplay do Curinga hahahaha
bjs

renatocinema disse...

Amanda entendo também que as duas primeiras histórias foram melhores. A terceira ainda gosto muito.

Só a última não dou nota 11.



kkk

renatocinema disse...

Tsu estou aguardando......Coringa sempre. kkk

Joicy Sorcière disse...

Que bacana ver uma animação NACIONAL com essa qualidade!!! Gostei...

Aqui em casa nós curtimos demais animações. A família toda(marido e filho adoram!)...

Anotadíssimo!!

bjks
JoicySorciere => CLIQUE => Blog Umas e outras...

renatocinema disse...

Joicy.....eu, particularmente, achei impactante. Ainda mais as três primeiras história.

Lembrando que não chega a ser uma animação infantil...cuidado com os filhos nessa animação. kkk

abs

Suzane Weck disse...

Ola Renato,não posso dizer que tenha ficado deveras empolgada,mas gostei muito.Beijo.SU

Stella Daudt disse...

Como Suzane, também gostei, mas não tanto quanto você, Renato. Fiquei satisfeita de ver uma animação nacional feita com tanta competência.

renatocinema disse...

Stella é essa diversidade de gostos que me encanta a sétima arte.

O que uma o outro não gosta tanto. Abraços

Suzane Weck disse...

Ola caro amigo,passando para deixar meu grande abraço.SU

Tô Ligado disse...

O cinema nacional traçando um caminho incrível.
Assistirei!

Tsu disse...

Oi Renato.
Medo de cavalo? Pq? kkkk

Renato Hemesath disse...

Que interessante! Pela estética do filme eu não teria a impressão de se tratar de um trabalho que aborda temas tão profundos, como o que você comentou! Abraços