Deixe Ela Entrar



Deixe Ela Entrar – É possível definirmos o amor platônico? Qual o limite do Afeto? O cinema consegue realizar grandes produções sobre amores quase impossíveis? E quando crianças estão envolvidas: como fazer para construir um roteiro sólido, envolvente, angustiante, e, além disso, com uma história de vampiro embasando o argumento? “Deixe Ela Entrar” de forma poética e com alguma violência responde e leva ao público a reflexão sobre alguma dessas questões.


Demorei algum tempo para conseguir uma cópia do filme “Deixe Ela Entrar”, porém, valeu a pena a espera. Um ótimo filme, com um script que cativa, angustia e apresenta para o público, aos poucos, o que iremos assistir.


O que mais apreciei no roteiro foi à narrativa lenta, sem pressa e com consistência. Nada da rapidez do estilo americano (o que, às vezes, agrada). Aqui cada segundo da trama é valorizado. Cada gesto tem um motivo. Nada de mostrar afobação, correria ou algo do gênero. A trama sugere muito e mostra pouco, em termos visuais. Na produção os pequenos gestos realmente são simbolizados e valorizados com poesia e quebra de inocência. Assim como na literatura, quem constrói as imagens, e se apaixona, é o leitor, no caso o cinéfilo.


A fotografia é divina: quase sempre mostrando personagens distorcidos e escuros, com a frieza dos próprios personagens e suas relações “humanas”. O retrato visual que “Deixe Ela Entrar” nos apresenta são de pessoas vazias, com solidão e sem sentimentos. Nesse longa-metragem descobrimos e sentimos, de verdade, a força e a riqueza de um simples abraço ou de um beijo.


A riqueza dos diálogos fica para o casal de crianças. As atuações de Kåre Hedebrant (Oskar) e Lina Leandersson (Eli) são impactantes. Olhares penetrantes, ameaçadores e cheios de ternura. Um trabalho muito acima da média. Se os jovens atores tivessem nascido na terra do Tio Sam, teriam sido no mínimo, indicados ao Oscar de melhores atores.


Um conselho, a grande maioria, dos fãs da saga Crepúsculo: não assistam. “Deixe Ela Entrar” ousa e acerta muito ao mostrar vampiros que apesar de jovens, não querem serem símbolos de uma juventude romântica. Com eles a questão é muito mais do que uma simples poesia juvenil. Com essas crianças somos apresentados a um amor verdadeiro, insano, enlouquecedor e psicopata.


Mas, fique tranquilo: quando você pensa que viu tudo, ainda existe uma pequena mágica no final, que senão chega a ser antológico, merece aplausos sinceros.


A produção também fala de um assunto atual e que merece atenção: Bullyng. Mas, nesse ponto existem outras produções melhores. Mas, o objetivo aqui era outro. O Bullyng era apenas uma pequena parte do iceberg chamado Amor.


“Deixe Ela Entrar” usa uma frase que me marcou e que serve de reflexão para boa parte de nossos colegas “humanos”: “Tinha que ir e viver ou ficar e Morrer”.


Ao terminar de assistir o longa-metragem só posso dizer mais uma coisa sem me arrepender: DEIXE ELA ENTRAR.


Sinopse – Oskar tem 12 anos e é um garoto ansioso e frágil, constantemente provocado pelos colegas de classe. Com a chegada de Eli, uma garota séria e pálida da mesma idade, que se muda para a vizinhança com o pai, Oskar ganha uma amiga. Quando a cidade começa a ser assombrada por uma série de assassinatos e desaparecimentos inexplicáveis, o menino, fascinado por histórias horripilantes, não demora a perceber que a amiga é vampira. Os dois acabam se apaixonando e a vampira lhe dá a coragem para lutar contra seus agressores.


Filme: 4,5 pipocas


1 pipoca – péssimo
2 pipocas – ruim
3 pipocas – razóavel/regular
4 pipocas – bom
5 pipocas – imperdível

12 comentários:

Rosane Marega disse...

Hum...fiquei curiosa para assistir.
Aqui sempre encontro ótimas dicas.
BeijoSSSS

! Marcelo Cândido ! disse...

Depois da trama de Crepúsculo, qualquer história sobre vamp's é melhor!!!

Gabriel disse...

Primeiramente, parabéns pelo texto, está excelente! Deixa Ela Entrar é um filme lindíssimo, consigo ver finalmente uma história de amor se concretizando sem parecer forçada o bastante, e com sentimentos tão bem explorados que cativam até a pessoa com mais repulsa pela sede vampiresca de Eli. Um filmaço.
Abração.

maria elis disse...

não sei porque, mas já fiquei com medo só de olhar o cartaz ._.
sim, sou do tipo BEM medrosa '-'
não garanto que irei procurar, mas quem sabe :)

mesmo assim, obrigada pela dica ;)

beijas, sorvete de flocos :*

Tô Ligado disse...

Parece ser bem interessante, mas tenho um enorme preconceito com drmas e romances...

Bom fds!

Guará Matos disse...

Aqui é só qualidade (acho que já disse isso, mas vale repetir sempre).

Abraços.

JhonSiller disse...

Eu tambem adoro uma narrativa lenta! Da pra pegar mais detalhes e automaticamente saboreamos mais a historia.

Cristiano Contreiras disse...

É um lindo filme mesmo, bem dirigido e com roteiro que cativa - mas, ao contrário de todos, eu vi primeiramente a versão americana, o tal remake, e prefiro ele até. Peço que confira, eu gostei muito mais dos dois atores mirins americanos e acho que o filme é extremamente mais intenso.

abraço

Jacques disse...

Sem dúvida, estas modinhas hollywoodianas são de matar, e os vampiros infelizmente estão entre elas.
Tive o bom senso de não assistir nenhum "filme" da série Crepúsculo, que em nada somam a ninguém.
Ainda não assisti a este filme, mas ele parece ser muito bom, capaz de incitar a inteligência e sensibilidade do espectador.
Até mais.

Amanda Aouad disse...

Parabéns pelo texto, Renato. Sem dúvidas Deixe Ela Entrar é uma das melhores surpresas que o cinema sueco nos deu, arrisco a dizer desde Bergman. Adorei o filme, essa calma em fazer a narrativa andar, essa forma de não revelar tudo, deixar subentendido.

bjs

♪ Sil disse...

Eu já gostei do titulo!!!

Vou ver!!

(Ainda mais com seu aval).

Um beijo meu querido!
Gosto demais quando você me visita!

Um fim de semana com pipoca, cobertor e DVD (Aqui tá frioooo rs)!!!

Leco Hobbes disse...

Otimo texto expressa claramente as boas sensações que senti após o filme, vi e recomendo